Depois de mais de 40 dias de introspecção, estou de volta.
Muitas reflexões.
Uma delas é sobre o que é necessário para ampliar o nosso olhar diante do mundo e de nossas relações com ele.
Eu tive oportunidade de trabalhar com uma pessoa que acreditava que formavamos uma rede, que cada um tinha sua parte a realizar no todo.
Agora estudando filosofia entendo melhor a noção de todo.
Na disciplina filosofia da ciência o professor explica que não concorda em uma filosofia da ciência, já que a ciência trata das partes, e cada vez menores, até (oops!!) física quântica, um mundo que não segue as “nossas regras”, indeterminado (o que contradiz a própria ciência). E a filosofia trata do todo, da totalidade. Como haveria compatibilidade entre as partes e o todo, ou como não haveria?
Escolhi o tema: Mudança de Paradigma para realizar uma pesquisa para disciplina de filosofia da ciência. E como sou eu que estou pesquisando não poderia encontrar ninguém menos do que Fritjof Capra, me explicarei. O meu professor da citada disciplina disse que pela agenda atual deveriamos estudar Karl Popper, mas meu professor, sendo filósofo e metafísico, não concorda com a visão deste autor, mas ele é a referência em ciência atualmente. Então, para discursarmos sobre ciência devemos citá-lo nem que seja para contrapor o seu ponto de vista. E exatamente Fritjof Capra, o autor que eu comecei a ler, não é bem visto pela comunidade científica, por que tem uma visão sistêmica, visão do todo. Mas ao meu olhar ele entendeu o funcionamento das coisas.
Cito alguns trechos do prefácio do
Livro A TEIA DA VIDA (lindo título!!):
“ ... como nossas percepções são interrompidas pelo "reconhecimento". Muitas vezes, quando estamos tentando perceber algo à nossa frente, o processo é interrompido por um "enquadramento" daquilo em relação a alguma coisa que já está armazenada em nosso atual arcabouço mental. Nesse momento, nosso processo "neutro" de percepção é ínterrompido e "rotulamos" a coísa como algo já conhecido, poupando-nos o trabalho de desvendar o inédito...
E se esse algo que observamos não se encaixar? Interrompemos também o processo através dejulgamentos rápidos? "Estranho... , "Esquisito... , "Não faz sentido... , "Fora da realidade... .
Não é verdade que um mesmo fato testemunhado por um grupo de pessoas pode ser percebido de forma diferente por diferentes pessoas?
Não seria esse conjunto uma realidade "sistêmica", altamente complexa, que está fora da esfera de compreensão da maior parte de nós, humanos?
Minha própria experiência é que quanto mais entendemos a grande realidade na qual vivemos, mais humildes nos tornamos.”
Voltando ao ponto inicial, para ampliar a visão devemos estar vazios de alguma forma, sermos humildes. Aceitar que a Verdade é nossa dona, mas que ninguém jamais irá possuí-la.
FELIZ e renovada PÁSCOA!