quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lendo o Espírito da Filosofia Medieval

Quanto mais estudo, mais fundamento a minha fé, e não consigo realmente entender como o saber pode afastar alguém da fé, de Deus, da religião, do auto-domínio, etc. Fazer com tenha necessidade de explicação para tudo, ou que tenha uma explicação puramente racional das coisas. Não consigo entender como algúem acredita no que consegue pensar por si só, mas não consegue acreditar no que é revelado por Deus. O que é revelado não somente na Bíblia, mas em nosso cotidiano, em nossa vida. A todo momento acontecem coisas, coisas que por vezes não conseguimos entender, para nos mostrar o caminho, a direção, o sentido, mas mesmo assim... muitas pessoas não acreditam.
Muitos são convidados, mas poucos são os escolhidos.
Gostaria muito de conseguir descrever a minha emoção ao ler o trecho que transcrevo abaixo.

"De um lado, o filósofo puro e simples, que dispõe apenas da sua razão e quer descobrir a verdade por suas próprias forças: todo o seu trabalho leva apenas a apreender um minúsculo fragmento da verdade total, imersa numa massa de erros contraditórios de que ele é incapaz de separá-la.  De outro lado, o filósofo cristão: sua lhe dá a posse de uma critério, de uma regra de juízo, de um princípio de dicernimento e de seleção, que lhe possibilitam tornar a verdade racional a si mesma, libertando-a do erro em que ela se embaraça. Solus potest scire qui fecit, diz Lactâncio. Deus, que tudo faz, tudo sabe. Sigamo-lo, se ele nos ensinar.  Entre a incerteza de uma razão sem guia e a certeza de uma razão dirigida, ele não hesita um instante, como tampouco hesitará, depois dele, santo Agostinho."
Étienne Gilson - O Espírito da Filosofia Medieval, p 39

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