sábado, 13 de março de 2010

Genialidade

Já tinha escrito este post há algum tempo, mas hoje ao ler o SERMÃO SOBRE O CONHECIMENTO E A IGNORÂNCIA (Sermão 36 sobre o Cântico dos Cânticos) de Bernardo de Claraval (trad. Jean Lauand), que tem como título O CONHECIMENTO DAS LETRAS É BOM PARA A INSTRUÇÃO, MAS O CONHECIMENTO DA PRÓPRIA FRAQUEZA É MAIS ÚTIL PARA A SALVAÇÃO
no site que se segue
http://www.hottopos.com/mp4/gazali_mplus4.htm#serm
tive a inspiração necessária para publicá-lo.
Leia o sermão, antes ou despois de ler o post, mas não deixe de lê-lo, é maravilhoso.

Segue meu post:

O homem é o único ser possuidor da razão e esta o permite conhecer.
Para expressar o conhecimento adquirido, o homem criou um sistema de sinais e códigos, podendo assim registrar o que pensou e falou.
Cada povo tem uma língua e cada língua é escrita de forma diferente.
Cada gramática tem suas peculiaridades e com o passar do tempo vai mudando, muda tanto que o que era certo ontem já não o é hoje, e o incorreto de ontem corre o risco de ser a regra válida de amanhã.
Mesmo com a existência de uma gramática dita universal e todo o aparato particular de cada língua, nunca daremos conta de expressar ou de captar o ser em si, e se o captarmos não será com meras palavras que conseguiremos expressá-lo.
Algumas coisas apenas se expressam com gestos e atitudes.
Palavras mudam de significado conforme a entonação com que são pronunciadas.
A arte mesmo representando um drama é bela.
Gênio, este homem que compreende as matemáticas, as línguas e todas as ciências.
Gênio, este homem que usa sua razão para decorar regras estabelecidas que mudam.
Gênio, este homem tão pequeno quando comparado a imensidão do universo no qual está imerso.
Gênio que não sabe orar, não sabe perdoar, não saber se conter, não sabe respeitar ao próximo.
Lamentavelmente ignora sua finitude subindo no palco de sua arrogância, esquece que a vida de um homem é muito mais do que regras estabelecidas pelo próprio homem. E que todo este sistema de códigos não é apenas para que o conheçamos, mas para que possamos expressar o que está para muito além dele.
Este sistema é para nos ajudar, a nós que precisamos disto, a compreender o real sentido da existência, não apenas para que entendamos letras e números, pois estes não precisam ser entendidos.
Feliz o homem que compreende a existência ao contemplar a natureza que o cerca, a natureza da qual faz parte, sua própria natureza. Feliz, pois não precisa de bengalas (letras, números, acentos e reticências) para caminhar.
Este é para mim o grande gênio, aquele não precisa da vírgula e do acento para a vida caber por completo em um suspiro seu.

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